A sociedade do Apocalipse


Cai chuva no telhado
batido e ressequido deserto da terra,
Escorrre pelo sulco machucado,
de uma heran;ca disgraçada
de um mundo injustiçado
da mãe desconsolada,
Pela criança abandonada,
Pelo velho sufocado,
Nas mãos... Nos olhos,
afogando o coraçao.

Caí chuva... e te mole terra.
Na garganta mais profunda, dela.
Pelos vales e depressões,
no mais obscuro ponto
do sagrado coração.

Caí chuva... Escorre no telhado,
sangra caneta,
do poeta triste... Agoniado.
Pela loucura e ingentileza,
de um homem e seu povo;
Que deixa sua gente se afogar,
nas lágrimas da miséria.
Onde muitos morrem,
Sem choro... Sem vela.
Enterrados no esquecimento,
do cemitério sem saudades.
Solidão...
Sem nome... Nem passado.
Incomunicáveis...
Almas penadas.
Sem direito... Sem saber.
Essa legendaria dinástia,
dos desprezados da morte,
dos repudiados da vida.

Quém contará a geanalogia
dos esquecidos?
Quem se lembrará ou conhecerá,
os seres... que bateram,
como chuva no telhado,
que um dia cai,
em outros não existem mais.?

Eternamente lembrados,
meus esquecidos.

Esquecidos pela Eternidade,
como rastro apagado,
Como um buraco no espaço,
que em outros tempos se passaram por estrelas,
e hoje são apenas algo a ser desviado.
Será que terão outra chance,
quem sabe o pegar o que sobrou,
e levar tudo pra outro lance,
poderão ter um revanche?

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